Um triste e emocionante relato da coordenadora de uma clínica médica  de um hospital em Mogi das Cruzes chocou as redes sociais, a médica conta com detalhes, que somente quem está na linha frente do combate a Covid-19 consegue relatar da falta de leitos e respiradores nos hospitais, e a superlotação de UTI´s, acompanhe abaixo na íntegra esse relato:
Por Débora De Barros Abdala:
 
“Tenho evitado expor nesta rede social minha opinião pessoal a respeito da pandemia.
Mas… Hoje, eu estou cansada. E talvez por isso, tenha burlado minha própria regra: “não comente sobre isso, Débora… apenas continue a nadar”.
Então, pra não concordar ou discordar de ninguém, queria explicar uma coisa, pra ajudar (quem concorda e quem discorda) a pensar fora da caixa:
VAGAS DE UTI
Nunca foi o forte do brasileiro, convenhamos!
Na rede pública, há uma recorrente falta de vagas, e quando a gente fala em colapso do sistema, não é pela UTI apenas, até porque, sem vaga de UTI a gente sabe brincar. O médico brasileiro é formado pra lidar com isso. Acreditem!
Já segurei plantão de 12 horas, em sala de emergência de SUS, com 14 entubados num lugar que caberiam apenas 8. E com a UTI lotada.
Agora, sabe a hora que trava?
A hora que a gente liga pra diretoria e fala “precisa ‘fechar a porta’ (leia-se: não aceitar mais referenciados, seja do SAMU, seja transferência) da Emergência!!! Não cabe mais!!!”???
Não é a hora que acaba vaga em UTI.
É a hora que acabam os ventiladores do hospital.
Meu amigo… nessa hora… é um frio na barriga constante! Sabe por que?
Porque no SUS, não existe como FECHAR a porta.
Tem aproximadamente uma semana, li que o Ministério da Saúde enviaria a Manaus mais 15 ou 20 ventiladores mecânicos.
Sabe o que é isso?
Isso representa 2/3 da quantidade de ventiladores que temos no hospital onde eu trabalho. Um hospital particular, de tamanho mediano, numa cidade de 400 mil habitantes. Onde temos mais vários outros hospitais.
Basicamente? Não vai servir nem pra começar a brincadeira no AM.
Pronto. Isso que eu falei não é opinião pessoal. É vida real.
E o que tem a ver meu cansaço com isso?
Relato de caso:
32 anos. Masculino. Prestador de serviço essencial (alimentício). Morador da cidade de São Paulo. Sem comorbidades. Transferido pra terra do caqui porque na capital, nos hospitais referenciados do plano de saúde dele, não tinha mais vaga para suspeita de coronavírus (ou seja, até pode ser que tenha vaga no hospital, mas não na ala definida pra isolamento).
Há 5 dias internado. Sempre gentil.
E piorando. Sozinho. Isolado (nem a família pode visitar).
Ele me olha e diz:
– Quando essa falta de ar vai acabar, doutora?
Ele não sabia, mas já estava uma correria fora do quarto pra separarmos material – ele seria entubado. E qual era a preocupação da equipe? Não tinha vaga na UTI pra ele ir imediatamente. Num hospital particular de uma cidade de interior. Mas o alívio era que tínhamos ventilador.
Eu tentei, com um nó na garganta, explicar:
– Você não consegue mais respirar sozinho… Seu pulmão está cansado. Nós vamos te ajudar a acabar com a falta de ar. Você vai dormir. E vamos ligar você ao respirador.
Silêncio. Meu e dele.
– Você entendeu?
– Entendi… é que eu nunca passei por isso…
Gelei. A única coisa que consegui responder:
– Nós também não…
Sai do quarto, e chorei.
Respirei. Voltei pro front.
Neste momento recebo um aviso: “doutora, a mãe dele está aí, veio trazer roupas e produtos de higiene pessoal.”
Decidi dar a notícia de forma mais digna do que pelos boletins telefônicos diários que fazemos todas as tardes. A cada dia, pra mais famílias…
Me apresentei. E expliquei o que estava acontecendo.
– Doutora, não entendo. Pra mim, quando alguém vai pra UTI, eu sempre acho que é porque a pessoa está entre a vida e a morte. Me diz: meu filho está entre a vida e a morte?
Deus do céu… como tranquilizar uma mãe? Tem como fazer isso? Há 12 anos sendo médica, ainda não descobri.
Tento. Explico. Finalizo:
– Estamos fazendo tudo que podemos por ele! Agora a senhora vai rezar muito, pra que o pulmão dele responda! Peça com fé em Deus! Ele é jovem, é forte, e vai sair dessa!
– Ai doutora… eu queria tanto poder te abraçar agora… mas eu sei que não posso…
Ela chorou. Eu chorei.
Perdi o rumo por bons minutos.
Na verdade, perdi o rumo pelo resto do dia.
Talvez por isso eu esteja cansada.
De ler opiniões pessoais ou interpretações surreais.
De viver e ver cada dia mais casos e mais história.
De saber que não sabemos nada, e ver que quem não sabe acha que sabe tudo.
De ver todo dia mais tomografias com pulmões destruídos.
De ver as ruas e supermercados lotados.
E hoje, o que fica na minha mente é isso:
– É que eu nunca passei por isso…
– Nós também não…
Obs: rapidamente conseguimos a vaga de UTI.
 
(Foto ilustrativa)

7 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde. Sou a autora do texto e peço, por gentileza, que não vinculem o nome do hospital, nesta publicação.

    Não há, no texto original, esta declaração nem o nome do hospital. E para tal publicação, vocês deveriam solicitar autorização para mim, e para a assessoria de imprensa do hospital.
    Não me importo que publiquem, mas sem vincular o hospital pois é uma opinião minha.

    Agradeço desde já.

  2. Bom dia
    Venho novamente solicitar a gentileza de desvincularem o nome do hospital ao meu texto. Trabalho em mais de uma instituição.

    Além do que, se vocês tivessem buscado o texto original, verificariam que não há nenhuma citação de nomes para evitar exposições.

    Entendo que vocês publiquem, pois “está na rede“. Mas não posso autorizar que envolvam o nome de uma empresa sem a autorização dela, e nem sem saber de onde relatei isso. Podem editar, por gentileza?

  3. Isso vindo da mesma médica que vê cabeças como degraus, pisa em todos os outros médicos e diz que ninguém é tão bom quanto ela; que odeia e fala mal todos os dias da própria mãe; que sorri pela frente e dá facada em todos pelas costas; que em tempos de dengue, liberava paciente ruim para casa sem fazer o teste rápido porque “não vai morrer não”; que cancelava um simples soro para reidratar paciente para não ocupar espaço na observação do hospital.
    O Covid-19 não transforma maldade em empatia não. Só traz ibope pra quem é oportunista.

  4. Médica e Espírita fingida, mal caráter… acha que só ela sabe, que somente ela é boa médica, que apenas ela é capaz. Fala mal de todo mundo, para todo mundo. Passa por cima de tudo. Tenta prejudicar a todos, seeempre sem motivos reais. Sacana. Cruel. Enfim, lobo em pele de cordeiro. Demônio disfarçado de anjo. O pior que a humanidade tem a oferecer, pois se esconde entre falsas caridades e empatia, usando a medicina em falsidade. Mentirosa… Fingida como já mencionado. E ainda se faz de heroína; de santa. A mais mega hiper super top much deusa doutora médica do universo; a que sabe como curar o covid19; a que ajuda a todos. MENTIRA…!!! FALSA!!! a maldade encarnada fazendo uso desse sacerdócio para o mal. QUER APARECER; PROMOÇÃO. Perdoem me os outros profissionais de saúde. Obrigada e Parabéns a todos

  5. Quem não te conhece que te compre. Texto lindo, se fosse verdade. Trabalhei como segurança no hospital ipiranga, não havia uma viva alma da equipe que tivesse sua simpatia. Passava pelos outros como se fosse uma deusa, gritava e humilhava a todos. Esse vírus mudou muitas coisas, as pessoas aprenderam a dar valor na companhia, pais aprenderam que brincar com os filhos é mais importante que apenas disponibilizar um tablet, que correr na praça é infinitamente melhor que passar horas dentro de um carro, que a grama é mais macia que o cimento, esse vírus mudou e vai mudar muitas coisas, MAIS NÃO VAI MUDAR O CARÁTER DE ALGUÉM.

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